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Educador italiano Andrea Pagano agradece a acolhida e concede entrevista

O educador italiano Andrea Pagano, representante da Coopselios – cooperativa de Reggio Emilia, que atua na coordenação pedagógica de creches e escolas infantis municipais na cidade italiana que é referência mundial na qualidade da educação infantil, que ministrou palestra, em agosto, para professores e alunos do Programa de Pós-Graduação em Educação e convidados agradeceu ao reitor da Universidade Tuiuti do Paraná, Luiz Guilherme Rangel Santos, a acolhida e a oportunidade de dialogar com estudantes e professores brasileiros. Além de convidar membros da Tuiuti para visitar Reggio Emilia, Andrea também elogiou a paixão da universidade pela Educação e as pesquisas nessa direção.

Confira a entrevista que Andrea Pagano concedeu ao Portal da Universidade Tuiuti do Paraná
1) A que se deve, na sua opinião, o sucesso de Reggio Emilia?
Os pedagogos e professores de Reggio Emilia tiveram e continuam tendo a coragem de experimentar diariamente ideais educacionais que os inspiram. Há uma ideia de criança competente, pesquisadora, que tem o direito de propor sua ideia sobre as coisas. O professor, muda o seu papel em relação à criança e procura constantemente dar valor à sua pesquisa e hipóteses. Eu acredito que a prática diária, por muitos anos, dessa abordagem, é a força de Reggio Emilia e de suas escolas.

2) A abordagem educacional de Reggio Emilia pode ser reproduzida, independente de regionalidades?
Todo sistema educacional não é independente de um sistema de referência cultural, social e político. É impossível “transplantar” ideias e significados nascidos em um contexto específico de referência. No entanto, é possível tentar integrar a ideia de escola e criança, encontrada na abordagem de Reggio Emilia, em outros contextos, e procurar descobrir como ela poderia ser implementada.
Uma escola deve ser integrada no seu sistema de referência territorial. Por isso, os professores têm que se perguntar como integrar essa abordagem pedagógica em seus próprios contextos.

3) Como a estética e a arquitetura influenciam no aprendizado?
A organização dos ambientes escolares, os materiais com os quaissão construídos e o mobiliário, desempenham um papel fundamental no processo de aprendizagem. O espaço é como se fosse outro “educador” e pode mudar muito a qualidade do ensino e da aprendizagem.
Gregory Bateson argumenta que a estética é importante nos processos de conhecimento, entendendo por estética a “sensibilidade à estrutura que liga diferentes aspectos da realidade”. Em outras palavras, o pensamento lógico precisa ser combinado com as emoções, porque a aprendizagem precisa da dimensão do prazer para ser internalizada.

4) A escola e a família precisam estar conectadas? Como fazer isso?
É pela consideração à criança que escola e família estabelecem um diálogo. A criança precisa desses dois mundos, o privado da família e o social da escola, para se relacionar e estabelecer conexões. Os professores podem pensar em momentos de participação da família no projeto educativo, para que as crianças sejam motivadas pelo envolvimento de seus pais. Além disso, a escola pode ser um lugar onde os pais também podem ter tempo e espaço para dialogar e projetar elesa também atividades formativas.

Breve currículo – Andrea Pagano é educador italiano, formado em Ciência da Educação e em Ciência Pedagógica pela Università degli Studi di Modena e Reggio Emilia (UNIMORE). É ‘Pedagogista’ (coordenador pedagógico), com experiência profissional em instituições dedicadas a crianças, famílias e pessoas com necessidades especiais. Atua nas áreas de coordenação de serviços educacionais e sociais, na formação de educadores e assistentes sociais, em mediação de conflitos e supervisão educacional. Atualmente trabalha na Coopselios, em Reggio Emilia, onde atua na coordenação pedagógica de creches e escolas infantis municipais, no relacionamento com organizações locais, com famílias e outras escolas, no desenvolvimento de projetos de aprendizagem e na condução de programas de formação de professores. Também é pesquisador no Projeto STORIES – “Fostering Early Childhood Media Literacy Competencies”, coordenado pela Coopeselios e realizado em parceria com quatro universidades europeias.

Foto ANDREA PAGANO

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