Indice - UTP - Universidade Tuiuti do Paraná

Introdução

  • A Universidade Tuiuti do Paraná com intuito de maximizar a qualidade e atendimento aos alunos com necessidades educativas especiais, criou a “Comissão de Educação Inclusiva”. A comunidade universitária, diante de sua responsabilidade na formação de cidadãos plenos e da necessidade de adaptar as propostas da educação, coloca em discussão as exigências de melhoria do ensino e, muito particularmente da educação inclusiva. Enfoca as pessoas com deficiência  no conjunto dos cursos das IES (Instituição de Ensino Superior), como importante instrumento de ampliação do espaço de participação social, uma vez que possibilita um envolvimento de grandes profissionais formados e em formação.
    O princípio é o respeito às diferenças, de modo a favorecer a unidade na diversidade, a semelhança na dessemelhança.A prática da educação inclusiva repousa em princípios tais como: a aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação.Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do “diferente”. Não faça de conta que a diferença não existe. Se você se relacionar com uma pessoa diferente como se ela não tivesse uma diferença, você vai estar ignorando uma característica muito importante dela. Desta forma, você não estará se relacionando com ela, mas com outra pessoa, uma que você inventou, que não é real. Quando quiser alguma informação de uma pessoa deficiente, dirija-se diretamente a ela.Você, professor do século XXI, que é aquele que, além da competência, da habilidade interpessoal, do equilíbrio emocional, tem a consciência de que mais importante que o desenvolvimento cognitivo é o desenvolvimento humano deve ressaltar que o respeito às diferenças está acima de toda pedagogia.

Quando estiver frente a frente com uma pessoa com deficiência física…

  • Sempre que quiser ajudar, ofereça ajuda.
    Sempre espere sua oferta ser aceita, antes de ajudar.
    Sempre pergunte a forma mais adequada para fazê-lo.
    1- Se a pessoa usa cadeira de rodas, é importante saber que, para uma pessoa sentada, é incômodo ficar olhando para cima por muito tempo; portanto, se a conversa for demorada, lembre-se de sentar, para que você fique com os olhos num mesmo nível.
    2- A cadeira de rodas (assim como bengalas e muletas) é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo. Agarrar ou apoiar-se na cadeira de rodas é incômodo para a pessoa; é como você ser abraçado por uma pessoa desconhecida, quando anda na rua.
    3- Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa.
    4- Ao empurrar uma pessoa em cadeira de rodas, faça-o com cuidado. Preste atenção para não bater nas pessoas que caminham à frente. Para subir degraus, incline a cadeira para trás para levantar as rodinhas da frente e apoiá-las sobre a elevação. Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha ré, sempre apoiando para que a descida seja sem solavancos. Para subir ou descer mais de um degrau em seqüência, será melhor pedir a ajuda de mais uma pessoa.
    5- Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas à pessoa deficiente.
    6- Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, podem fazer movimentos involuntários com pernas e braços e podem apresentar expressões estranhas no rosto. Não se intimide com isso. São pessoas comuns como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média.
    7- Se a pessoa tiver dificuldades na fala e você não compreender imediatamente o que ela está dizendo, peça para que repita. Pessoas com dificuldades desse tipo não se incomodam de repetir quantas vezes seja necessário para que se façam entender.
    8- Não se acanhe em usar palavras como “andar” e “correr”. As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras.
    9- Não estacione seu carro em lugares reservados a pessoas com deficiência. Tais lugares são reservados por necessidade e não por conveniência. O espaço é mais largo que o usual, para permitir que a cadeira fique ao lado do carro e o(a) cadeirante possa entrar e sair do veículo.
    10- Conscientize-se de que a pessoa deficiente desenvolve estratégias de sobrevivência e habilidades, adaptando suas limitações às necessidades diárias e superando normalmente os obstáculos, e não mostre espanto diante de um fato que é comum para o deficiente.
    11- Permita que o deficiente realize sozinho suas tarefas, mesmo quando lhe parecer impossível. Só deve socorrê-lo em caso de perigo.
    12- Permita que o deficiente, como qualquer Ser Humano, tenha o direito às suas emoções, qualidades e defeitos.
    13- Chame a pessoa deficiente pelo nome, como se faz com qualquer outra pessoa.

Quando estiver frente a frente com uma pessoa com deficiência oculta…

  • Se achar que ela está em dificuldades, ofereça ajuda e caso seja aceita, pergunte como deve fazê-lo.
    As pessoas têm suas técnicas pessoais para subir as escadas, por exemplo, e às vezes, uma tentativa de ajuda inadequada pode até mesmo atrapalhar.
    Outras vezes, a ajuda é essencial. Pergunte e saberá como agir e não se ofenda se a ajuda for recusada.
    1- Quando você estiver junto a um hemofílico e ele sentir que está começando a crise ou junto a um diabético, que está tendo de usar insulina, seja útil e não amedrontado. Peça informações às respectivas associações e profissionais especializados para saber como você pode ajudar.
    2- Se você fuma tome em consideração os demais. O fumo, que para algumas pessoas é apenas uma incomodação, pode vir a ser perigoso para pessoas com problemas respiratórios. Quando estiver numa roda de pessoas, peça permissão para fumar.
    3- Deficiências ocultas não são contagiosas socialmente.
    4- Quando você presenciar uma crise convulsiva chame socorro especializado imediatamente.

Quando estiver frente a frente com uma pessoa cega…

  • Trate a pessoa com deficiência com a mesma consideração e respeito que você usa com as demais pessoas. 1- Para guiar um(a) cego(a), ele(a) deve segurar o seu braço, de preferência no cotovelo, ou no ombro. Segurando no seu cotovelo, o(a) cego(a) caminhará meio passo atrás, seguindo os movimentos do seu corpo. À medida em que encontrar degraus, meios-fios e outros obstáculos, vá falando para o(a) cego(a). Em lugares muito estreitos para duas pessoas caminharem lado a lado, ponha seu braço para trás de modo que o (a) cego(a) possa lhe seguir.
    2- Quando falar com um(a) cego(a) use tom e velocidade normal de voz. É insultante gritar ou falar a um adulto como se esse fosse criança. A cegueira não afeta nem o ouvido nem a inteligência. Sempre fale diretamente ao(à) cego(a).Ao sair de uma sala, informe o(a) cego(a): qualquer pessoa se sentirá como boba ao falar para o vazio. Não evite usar palavras com “cego”, “olhar” ou “ver”, os cegos(as) também as usam.
    3- Ao explicar direções para um(a) cego(a), seja o mais claro possível. Não esqueça de indicar os obstáculos que existem no caminho que ele(a) vai seguir. Como algumas pessoas cegas não tem memória visual, lembre-se de indicar distâncias em metros (p.ex.20 metros para frente). Mas se você não sabe bem como direcionar uma pessoa cega, diga algo como: “Eu gostaria de lhe ajudar. Mas como é que devo descrever as coisas?“ Ele(a) lhe indicará.
    4- Ao guiar um(a) cego(a) para uma cadeira, guie a mão do(a) cego(a) para o encosto da cadeira, e informe se a cadeira tem braços ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha. Numa sala de aula, é de boa educação que você leia tudo que escreve no quadro, ou nas transparências que utiliza.
    5- Quando você estiver em contato social ou trabalhando com pessoas cegas, não pense que a cegueira possa vir a ser um problema e, por isso, nunca as exclua de participar plenamente, nem procure minimizar tal participação. Deixe que os (as) cegos(as) decidam como participar. Nunca subestime o que a pessoa cega possa fazer. O cego(a) pode lhe surpreender. Proporcione à pessoa cega a chance de sucesso ou de falhar, tal como qualquer outra pessoa.

Quando estiver frente a frente com uma pessoa surda…

  • Se você não se sentir confortável ou seguro para fazer alguma coisa solicitada por uma pessoa deficiente, sinta-se livre para recusar.
    Neste caso, seria conveniente procurar outra pessoa que possa ajudar.
    1- Não é correto dizer que alguém é surdo-mudo. Muitas pessoas surdas não falam porque não aprenderam a falar. Muitas fazem a leitura labial, outras não.
    2- Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque em seu braço levemente.
    3- Quando estiver conversando com uma pessoa surda, fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas não exagere. Use a sua velocidade normal, a não ser que lhe peçam para falar mais devagar.
    4- Use um tom normal de voz, a não ser que lhe peçam para falar mais alto. Gritar nunca adianta.
    5- Fale diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela. Faça com que a sua boca esteja bem visível. Usar bigode também atrapalha.
    6- Quando falar com uma pessoa surda tente ficar num lugar iluminado. Evite ficar contra a luz (de uma janela, por exemplo), pois isso dificulta ver o seu rosto.
    7- Seja expressivo ao falar. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam sentimentos de alegria, tristeza sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos e o movimento de seu corpo serão excelentes indicações do que você quer dizer.
    8- Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual, se você desviar o olhar a pessoa surda pode achar que a conversa terminou.
    9- Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está dizendo, não se acanhe em pedir para que repita. Geralmente, as pessoas surdas não se incomodam de repetir quantas vezes for preciso para que sejam entendidas.
    10- Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete, dirija-se à pessoa surda e não ao intérprete.

Quando estiver frente a frente a uma pessoa com deficiência intelectual…

  • O apoio à pessoa com deficiência não deverá ser considerado como um trabalho exclusivo de um núcleo específico, mas como um trabalho de todos. A sua colaboração é também um importante tributo.
    1- Você deve agir naturalmente ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência intelectual.
    2- Não superproteja. Deixe que ela faça ou tente fazer sozinha tudo o que puder. Ajude apenas quando for realmente necessário.
    3- Não subestime sua inteligência. As pessoas com deficiência intelectual levam mais tempo para aprender, mas podem adquirir muitas habilidades intelectuais e sociais.
    4- Deficiência intelectual não deve ser confundida com doença mental.

Sugestões pedagógicas

  • As pessoas e professores devem ter o cuidado de não criarem baixas expectativas, apenas com base na deficiência. O apoio à pessoa com deficiência não deverá ser considerado como um trabalho exclusivo de um núcleo específico, mas como um trabalho de todos.
    O papel do professor assume importância primordial no que diz respeito à sensibilização que ele pode desenvolver junto aos outros colegas.

Apoio à pessoa com deficiência auditiva

  • · O problema desta pessoa é a comunicação.
    · O aluno com deficiência auditiva deve ficar na primeira fila na sala de aula, sendo preferível o aluno utilizar prótese auditiva e/ou sistema de FM, quando possível, para amplificar o som da sala.
    · È indicado falar com a pessoa com naturalidade e clareza, não exagerando no tom de voz.
    · Fale de frente para a pessoa, pois isso lhe facilita a leitura labial. Quando falar não bloqueie de algum modo a área à volta da boca (ex: não fume enquanto fala). É difícil para o aluno deficiente auditivo fazer anotações, leitura labial, durante a exposição do conteúdo pelo professor.
    · É sempre útil fornecer uma cópia de meios visuais com antecedência, assim como uma lista da terminologia técnica utilizada na disciplina, para o aluno tomar conhecimento da terminologia e do conteúdo da aula a ser lecionada. Pode também justificar-se a utilização de um intérprete (uso de linguagem de sinais).
    · Quando utiliza o quadro ou outros materiais de apoio audiovisual, primeiro exponha os materiais e só depois explique ou vice-versa (ex: escreva o exercício no quadro ou no caderno e explique depois e não simultaneamente).
    · O aluno pode necessitar de tempo extra para responder aos testes escritos.
    · Se for utilizado um intérprete, dirija a conversa ao aluno.
    · Repita as questões ou comentários durante as discussões ou conversas e indique (por gestos) quem está a falar, para uma melhor compreensão por parte do aluno.
    · Um pequeno toque no ombro do aluno poderá ser um bom sistema para lhe chamar a atenção antes de fazer um esclarecimento.
    · A disponibilização de algum tempo para o atendimento individual deste aluno durante o horário de atendimento do docente é uma boa estratégia para este melhor acompanhar a matéria.
    · Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O importante é se comunicar. O método não é tão importante.
    · Sempre que houver avisos importantes e datas de provas ou entrega de trabalho, escreva-os no quadro.

Apoio a pessoa com deficiência visual

  • · Disponibilizar com antecedência os textos e livros para o curso devido à transcrição do material, em formato BRAILLE. Disponibilizar o material preferencialmente em CD formato doc para a transcriação.
    · O material de estudo pode ser fornecido sob forma de texto em ampliado, textos e aulas gravadas de acordo com as necessidades do aluno.
    · O aluno pode utilizar auxiliares ópticos e equipamento informático adaptado. Pode também fazer uso de assistentes para trabalho de laboratório e de apoio por parte do pessoal da biblioteca, nomeadamente para executar uma pesquisa bibliográfica.
    · Durante as aulas é útil identificar os conteúdos de uma figura e descrever a imagem e a sua posição relativa a itens importantes.
    · Transcrição em Braille das provas e outros materiais.
    · Possibilidade de alternativas na forma de realização das provas: lida, transcrita em Braille ou ampliada a pessoa com visão subnormal.
    · Ampliação do tempo disponível para a realização das provas.
    · Realização de provas orais, se necessário.
    · Fale-lhe diretamente e não por intermédio de outra pessoa; empregue um tom de voz natural e não pense que o aluno tem algum grau de surdez.

Apoio à pessoa com deficiência física

  • · As aulas em laboratórios podem requerer alguns ajustes do material e local de trabalho (altura do balcão, mesa, cadeiras entre outros). Se estiver em posição de proporcionar estas modificações, trabalhe diretamente com o aluno para criar um local, o mais acessível possível, promovendo a participação do aluno em todas as tarefas.
    · Na elaboração de viagens de estudo, o aluno deverá assistir à seleção dos locais a visitar e à seleção dos meios de transporte.